Não sei se sabem o que é vergonha alheia...
Aquela que nos consome o corpo de desprazer e aborrecimento. Aquela que nos chateia como “o caraças” mas não podemos fazer nada porque não é connosco. Mas na verdade, até é.
É pior que a "vergonha na cara" porque não é opção nossa fazer alguma coisa para salvar a situação... Foi essa que senti ontem a ver a repetição do "5 para a meia-noite".
Senti vergonha, quase que um ligeiro rubor me subiu às faces. Era a vergonha de que alguém com nome de "Pipoca" me metesse no saco que ela levava debaixo dos braços - o mesmo saco onde estão "as mulheres" de quem fala.
A Sra. Pipoca, sentada ao lado de um brilhante escritor português, José Luís Peixoto, contava como tinha chegado ao belo estatuto de “a mulher mais invejada de Portugal”. Ignorância a minha que não sabia da existência deste kitsch – a pipoca mais doce – blogue fofinho que fala das reais preocupações das mulheres?!
Mas… ó Pipoca… que mulheres? Mas o que me abespinha ainda mais é a tentativa brejeira e descarada de imitação do “Sexo e a Cidade”.
E ainda que tudo seja uma grande chatice, e que até acredite que há mulheres que designem as “bolhas do verniz das unhas” de “putas” (ver por favor http://apipocamaisdoce.blogspot.com/ “Ora bem” de 22 de Julho) acredito que a maior parte não sente necessidade de partilhar com o mundo os rasgos de barbaridade que todos temos de vez em quando.
Por isso… cara Pipoca… por favor, se puder, numa próxima entrevista em vez de falar nas mulheres em geral, seria mais prudente dizer “as mulheres como eu” e assim, acredite, que um sem número de mulheres lhe ficaria agradecida de a não incluir nesse saco, seja ele Gucci ou de contrabando.
P.S. Se abrir bem os olhos, vai reparar que há mulheres que vão sozinhas à casa de banho; que há homens que vão juntos e que muitas vezes a espontaneidade dos acontecimentos sucedem-se sem que seja preciso catalogar as mulheres de inseguras; rendidas à superficialidade do orbe; presas a todo o tipo de frivolidades.
Se abrir bem os olhos, vai reparar que todos somos diferentes.
Alvíssaras!
Patrícia Prata
Sem comentários:
Enviar um comentário