Se o medo arrancasse olhos era cega.
E sou.
E estou.
Nos meus não o vêem os que por aí andam. Nas mãos não sabem que escorre água, que varro veneno das veias.
Cardeais os pontos que me doem, aqui, ali e acolá. Dor que não existe mas que se sente. Dor do que penso e de que afasto o pensamento e ele vem. Vem sempre. Vem na volta do vento, das palavras que não disse.
É ela que me vem buscar de manso. Pela calada. Na noite. Ela que busca inocentes e os esgana feliz... a mórbida, aos culpados deixa-os danar no inferno.
E a alma que já não se salva ainda que tente. Ainda que corra todos os dias pelo perdão... só sente seiva rara, escassa e azeda.
Medo. Medo que ela me venha buscar para a purga.
A espera mata-me antes de me vir buscar.
E espero...
Patrícia Prata
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