sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Um calor sempre diferente...

Rita, descalça sobre o chão quente e vermelho, encaminhava-se para Pablo. Trazia vestida uma túnica laranja que lhe tapava os joelhos. O seu cabelo estava preso com uma rosa vermelha que condizia com os lábios molhados do vinho.

O contraste das cores que Rita levava, com o preto da camisa de Pablo desenhavam as diferenças dos seus mundos e ao mesmo tempo, na distância do contraste, nascia a ilusão de uma paixão. Parecia uma paixão que ia e vinha conforme o vento mas dificil de apagar. Tão dificil que Rita sonhava e mesmo acordada, parecia recordar tudo como se realmente tivesse acontecido. Como se sentisse o cheiro dele no seu corpo, o sabor da saliva na sua boca, um calor especial que lhe percorria a pele e sempre que adormecia e sonhava, o mesmo calor sempre diferente.

Do sonho trouxe todos os pormenores e o delicado toque da hospedeira confundia-se com o sopro de Pablo no seu ombro, como se lhe sussurrasse um segredo que da força das palavras nescesse uma brisa que lhe engomava as gelhas da pele arrepiada.

Patrícia Prata, in My Second Novel

3 comentários:

Gio Ve disse...

Season’s Greetings from "the Estonian living in Italy"!

xeca disse...

quero reservar já um exemplar deste best seller!!!!

JHS disse...

Deixo um grande beijinho para a Patrícia, com toda a minha admiração pela sua escrita expressiva, franca e luminosa. Desejo-lhe um 2010 muito bom, de que ela bem precisa... e merece. E, já agora, para o caso de não saber, informo que no dia 7, às 15,30 horas, passa na Cinemateca "As Vinhas da Ira", de John Ford, com Henry Fonda no principal papel. Que pena não estar cá, para a convidar a matar saudades do mais fabuloso Steinbeck. Fica para uma outra.
JHS