A minha vida na tua
Foi hoje que me disseram para escrever o que me magoa.
Que eu nem sei o que é...
Por mais que pense, tenho uma ideia perdida... lá bem fundo,
Naquele canto que ninguém quer ver,
Nem eu vou lá espreitar.
Foi hoje que com candura me disseram para resolver a dor.
Que eu já nem lembro onde é...
Por mais que tente, sinto qualquer coisa... lá bem longe,
Naquele ermo âmago que ninguém diz que tem,
Neu eu vou lá lembrar.
Mas eu sei. Se forçar as memórias...
São indistintas mas fazem-me suar.
Porque é mais fácil sentir raiva do que tristeza.
Porque é mais fácil gritar do que chorar.
São sempre as vezes que te quero perdoar.
E reconto-me a nossa história.
E vejo-te a dar o que sabes.
E sei que o que dás é tudo o que tens.
Mas não te posso desculpar.
Sei bem que a tua vida foi dura.
Também tu vives na mágoa da vida.
Essa vida antes de mim e antes de ti.
E narro-me a tua amargura...
Mas não consigo relaxar.
Queria embalar-me na tristeza.
Mas prefiro esta dureza.
Porque o corpo rijo me diz
Que enquanto choro me mostro
Que enquanto endureço pareço feliz.
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