Pés que dançam, fortes, soltos.
Capitulam em notas, como crescessem já homens, já mulheres, já crescidos.
Eles que não sabem que vereda percorrem porque procuram atalhos à pobreza das suas solas.
Correm porque não querem sentir o edema da adega.
É porque se alienam.
É porque os obrigam a dançar como os pés que dançam fortes.
Mas correm.
Correm porque não querem descobrir que a força que têm lhes pode ser tirada a qualquer momento.
Pés que dançam, fortes, soltos.
Rendem-se uns aos outros, como se fossem livres, francos, abertos.
Eles que não olham para o seu par, porque sabem que no ritmo do outro está acorrentada a música que lhes deram.
Correm porque não querem parar de ter dores.
Mas correm.
Correm porque se lhes doer se sentem mais fortes… soltos.
Patrícia Prata
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