quinta-feira, 28 de julho de 2011

Era mais

E chegou cheia de si. O mundo parecia desembrulhar-se em cadernos escritos. As palavras galgavam dos fólios como se exigissem permanecer no sopro das vozes que as liam. Eram grandes e desmedidas como a sua boca. Mas eram palavras honestas, com uma força vulcânica que lhe saia do interior do seu físico afunilado. Sorria porque ignorava o vindouro. Era hoje que sentia o seu corpo florescer de linhas tortas por textos incertos aos olhos do globo. Não fazia ideia de que lado estava o diabo nem se deus a conhecia. Queria deserdar-se dos negalhos convencionais. Sabia que se agigantava em si própria um conhecimento mais profundo da sua alma quanto mais se apartava do trivial. Sentia que quanto mais vivia mais tinha o direito de desacreditar na vulgaridade da vida. Era mais. Era mais do que o ser de alguém. Era mais e feliz.



Patrícia Prata

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